sábado, 18 de Julho de 2009

o robot de leonel moura e o toque de herberto helder

depois de ter encontrado num blog que li não resisti a trazer aqui, porque tuxo o que tem a haver com herberto se torna em tema interessante aqui vai-com a devids referência ao autor e seu blog

....O bichano, construído pelo Instituto Superior Técnico (IST), foi alimentado a palavras de Herberto Helder e amestrado para garatujar, qual protoaprendiz de pintor. O toque divino da coisa foi inculcar na natureza robótica um algoritmo que permitiu ao bicho grafar palavras aleatórias do poeta em folhas imaculadas. O artista transportou o ser para museus ou galerias, onde a mascote foi exibida como singularidade moderna.

Mas que raio, não poderia simplesmente a maravilhosa criatura artística de polegar oponível ter copiado Herberto?.....


o robot de leonel moura e o toque de herberto helder

Estive a ler e gostei do que li.
Diverti-me com a expressão -"o toque divino da coisa".
Porque ele há toques que são mesmo divinos.
Do toque de Leonel Moura não sei , mas sei do toque de Herberto e de quanto o divino lhe veio comer á mão.

Quanto a LM entrevistar o Poeta sabemos que tal seria dificil,uma vez que HH não dá entrevistas vai para um ror de anos; mas deu uma e essa ainda hoje se lê e ainda hoje muito nela se encontra sobre toques.
Divinos e humanos.

Agora o robot coitadinho não tem culpa de nada e pode dar-se até o caso de que a influência da mulher nua de Herberto helder poder até inspirá~lo e a gente ver um dia o tal robot a passear pelas ruas de uma cidade qualquer, recitando a " poesia toda" ou mesmo "os passos em volta".....

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quinta-feira, 16 de Outubro de 2008







Livro de Herberto Helder esgota e não será reeditado «A Faca Não Corta o Fogo - súmula e inédita», lançado na quinta-feira, encontra-se esgotado no armazém da editora.



O mais recente livro de Herberto Helder "A Faca Não Corta o Fogo - súmula e inédita", lançado na quinta-feira, encontra-se esgotado no armazém da editora, anunciou um representante da Assírio e Alvim.


O livro não será reeditado "pois Herberto não reedita. Quando muito existirá, talvez mais tarde, um novo livro que acrescente algo a estes poemas, como este volume faz com poemas já anteriormente publicados. É o poema contínuo", disse Luís Guerra, da Assírio e Alvim.


"Estávamos à espera disto pois os novos poemas deste livro são muito fortes. Existia uma grande expectativa que a saída do livro não frustrou", disse ainda Luís Guerra, que também revelou ter recebido, desde quinta-feira, inúmeros pedidos de várias livrarias de todo o país.


"A Faca Não Corta o Fogo - súmula e inédita" teve uma tiragem de 3000 exemplares e já só existem os que se encontram à venda nas livrarias.


Durante o fim-de-semana, a crítica literária nacional foi unânime no aplauso ao mais recente livro de Herberto Helder.






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sexta-feira, 10 de Outubro de 2008






rosto de osso, cabelo rude, boca agra,
e tão escuro em baixo até em
cima a linha
de ignição das pupilas
¿em que te hás-de tornar, em que nome, com que
potência e inclinação de cabeça?
o rosto muito, o ofício turvo, o génio, o jogo,
as mãos inexplicáveis,
a luz nas mãos faz raiar os dedos,
que a luz se desenvolva,
e a madeira se enrole sobre si mesma e teça e esconda a obra
e retorne e abra e mostre então
a abundância intrínseca,
porque se eriça num arrepio e se alvoroça
o espaço, e brilha quando,
no dia global,
espacial, no visível,
o caos alimenta a ordem estilística:
iluminação,
razão de obra de dentro para fora
— mais um estio até que a força da fruta remate a forma




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aparas gregas de mármore em redor da cabeça,
torso, ilhargas, membros e nos membros,
rótulas, unhas,
irrompem da água escarpada,
o vídeo funciona,
água para trás, crua, das minas,
tu próprio crias pêso e leveza,
luz própria,
levanta-os com o corpo,
cria com o corpo a tua própria gramática,
o mundo nasce do vídeo, o caos do mundo, beltà, jubilação, abalo,
que Deus funciona na sua glória electrónica





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A FACA NAO CORTA O FOGO - MAIS POEMAS






a vida inteira para fundar um poema,
a pulso,
um só, arterial, com abrasadura,
que ao dizê-lo os dentes firam a língua,
que o idioma se fira na boca inábil que o diga,
só quase pressentimento fonético,
filológico,
mas que atenção, paixão, alumiação
¿e se me tocam na boca?
de noite, a mexer na seda para, desdobrando-se,
a noite extraterrestre bruxulear um pouco,
o último,
assim como que húmido, animal, intuitivo, de origem,
papel de seda que a rútila força lírica rompa,
um arrepio dentro dele,
batido, pode ser, no sombrio, como se a vara enflorasse com as faúlhas,
e assim a mão escrita se depura,
e se movem, estria atrás de estria, pontos voltaicos,
manchas ultravioletas a arder através do filme,
leve poema técnico e trémulo,
linhas e linhas,
línguas,
obra-prima do êxtase das línguas,
tudo movido virgem,
e eu que tenho a meu cargo delicadeza e inebriamento
¿tenho acaso no nome o inominável?
mão batida, curta, sem estudo, maravilhada apenas,
nada a ver com luminotecnia prática ou teórica,
mas com grandes mãos, e eu brilhei,
o meu nome brilhou entrando na frase inconsútil,
e depois o ar, e os objectos que ocorrem: onde?
fora? dentro?
no aparte,
no mais vidrado,
no avêsso,
no sistema demoroso do bicho interrompido na seda,
fibra lavrada sangrando,
uma qualquer arte intrépida por uma espécie de pilha eléctrica
como alma: plenitude,
através de um truque:
os dedos com uma, suponhamos, estrela que se entorna sobre a mesa,
poema trabalhado a energia alternativa,
a fervor e ofício,
enquanto a morte come onde me pode a vida toda








BIBLIOTECARIO DE BABEL

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A FACA NAO CORTA O FOGO







(...) e escrever poemas cheios de honestidades várias e pequenas digitações gramaticais,
com piscadelas de olho ao «real quotidiano»,
aqui o autor diz: desculpe, sr. dr., mas:
merda!, 1971 - e agora,
mais de trinta anos na cabeça e no mundo,
e não,
não um dr. mas mil drs. de um só reino,
e não se tem paciência para mandar tantas vezes à merda,
oh afastem de mim o reino,
afastem-nos a eles todos,
atirem-lhes aos focinhos o que puderem dela,
sim até se acabar a mirífica montanha,
ó stôr não me foda com essa de história literária,
o stôr passou-se da puta da mona,
a terra extravaza do real feito à imagem da merda,
e então vou-me embora,
quer dizer que falo para outras pessoas,
falo em nome de outra ferida, outra
dor, outra interpretação do mundo, outro amor do mundo,
outro tremor,
se alguém puder tocar em alguém oh sim há-de encontrar alguém
em quem toque,
dedos atentos atados à cabeça,
luz,
um punhado de luz,
cada lenço que se ata a própria seda do lenço o desata,
a luz que se desata,
aí é que se ouve a gramática cantada, imagine-se, cantada para sempre sem se ver a quem,
baixo ressoando,
alto ressoando,
mexendo os dedos nas costuras de sangue entre as placas do cabelo rude,
rútilo cabelo e o sangue que suporta tanta rutilação, tanta
beltà, beauty, que beleza! diz-se, fique
aí onde está dr. porque para si já se reservou
um quilo, uma tonelada, desculpe,
estou com pressa,
alguém lá fora dança na floresta devorada,
alguém primeiro escuta depois canta através da floresta devorada,
desculpe dr. mas já desapareci como quem se abisma
num espaço de hélio e labaredas,
eu próprio atravesso o incêndio imitando uma floresta,
fui-me embora pela floresta infravermelha fora,
não estou para essas merdas floresta vermelha fora.


(Inédito do novo livro livro de Herberto Helder, A Faca Não Corta o Fogo - Súmula & Inédita, edição Assírio & Alvim - e o que dizer do regresso por outro caminho?)






FONTE/SOURCE-GOTTO

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Herberto Helder - A Faca Não Corta o Fogo

A Faca Não Corta o Fogo - Súmula & Inédita representa o esperado regresso de Herberto Helder. Um novo volume de poesia, com todo o rigor e beleza.




isto que às vezes me confere o sagrado, quero eu
dizer: paixão: tirar,
pôr, mudar uma palavra, ou melhor: ficar certo
com a vírgula no meio da luz,
dividindo,
erguendo-me do embrulho da carne obsessiva:
que eu habite durante uma espécie de eternidade
o clarão -
isto não o entendo, esta pancada desferida
no máximo concreto: copo,
cigarros,
o livro, e do próprio meu: a ininterrupta
amargura da memória, o tão pouco de
quente respiração - isto
eu não entendo que os dedos sejam arrancados com
[ o copo, que
no caderno a vírgula
fundamental
trave tudo para sempre - e depois é a obra das bruscas
aberturas, a abertura de cada coisa, e cada
minha abertura na abertura
do mundo - isto
não o entendo fora e dentro, esta
velocidade, só
porque fui tão oficial com as pontuações mais simples
e o quotidiano em baixo,
amor e desamor
- porque não entendo que uma garra me tenha apanhado
[ por trás da cabeça
e me tenha impelido, e o
desequilíbrio sobre as árduas escritas em casa, ou a
devastação morfológica, ou
um abalo, um abuso,
nada,
me concedam a sumptuosa ignorância quantas atmosferas
[ acima
dos pés na vírgula: o
arrebatamento




Herberto Helder


in A Faca Não Corta o Fogo

FONTE/SOURCE--GOTTO

06.10.2008










Herberto Helder põe fim a década e meia de espera com publicação de poemas inéditos



Fez saber em 1994 que não receberia o Prémio Pessoa. E nunca mais publicou um livro de inéditos. Mas eis que, aos 77 anos do poeta, chegou o tempo de A Faca Não Corta o Fogo – súmula & inédita, que a Assírio & Alvim faz hoje chegar às livrarias.




Se de Saramago e de Lobo Antunes estamos habituados a ler inéditos com regularidade, de outros nomes de igual relevância na literatura portuguesa nem tanto. Caso de Herberto Helder, que hoje vê publicado A Faca Não Corta o Fogo – súmula & inédita, pela Assírio & Alvim, 14 anos depois de Do Mundo e de ter recusado o Prémio Pessoa.



Essa faceta heterodoxa do poeta – alheado por completo da vida mediática, não recebendo prémios, não concedendo entrevistas desde 1968 – é bem conhecida e, de algum modo, até contraproducente para a divulgação da sua obra. Embora não tenha o facto impedido o Pen Clube de o indicar, em 2007, para o Nobel da Literatura.



Herbert Helder começou a publicar em 1958, poesia, com O Amor em Visita. E é pouco depois, em 1963, que ganha a notoriedade imensa de que ainda vem gozando, com a publicação de Os Passos em Volta, prosa poética. Dez anos depois, em 1973, começa um dos processos antológicos mais interessantes da literatura portuguesa, com Poesia Toda, que republicará em volumes sequencialmente mais magros.



Agora, chegou o tempo de «um novo volume de poesia, com todo o rigor e beleza a que nos habituou», lê-se no blogue da editora. Não pensando se Herberto é ou não o maior poeta português depois de Pessoa, como muitos defendem, o lançamento de A Faca Não Corta o Fogo – súmula & inédita «é, não tenham dúvidas, um dos maiores acontecimentos editoriais do ano», frisa José Mário Silva, justificando a sentença, no seu Bibliotecário de Babel, com três dos poemas inéditos do livro.



Como se intui do título, o livro compreende duas partes – uma onde reencontraremos poemas antigos; outra em que reconheceremos as esperadas novidades assinadas pelo autor de Última Ciência.



A capa de A Faca Não Corta o Fogo – súmula & inédita é de Ilda David, que assina ainda a capa e demais ilustrações na nova peça de ficção de Maria Velho da Costa – Myra. Ilda David é um nome recorrente nas edições da Assírio, tendo mesmo dois títulos publicados em nome próprio na colecção Arte e Produção.



RASCUNHO NET

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